Morangos

 

Quando eu era criança, ouvi dizer que morango era uma fruta que apenas os ricos poderiam consumir. "Uma coisa que pobre nunca ia comer", dizia a minha avó Severina.

Quem viveu no interior do Nordeste brasileiro, no século passado, talvez tenha ouvido isso e até sorria ao lembrar. Em Macaíba, a fartura tinha outro nome: manga e caju.

O primeiro morango da minha vida só chegou aos dezesseis anos, quando assinei minha carteira de trabalho na Famosa. Comprei a caixinha com a alegria de quem finalmente realizava um sonho de infância.

Experimentei. E não gostei.

Naquele instante, descobri que a imaginação costuma temperar as coisas muito mais do que a realidade. Continuei achando a manga infinitamente mais saborosa.

Desde então, percebi que a vida está cheia de morangos.

São as casas dos outros, os carros dos outros, as roupas dos outros, os cargos dos outros, as vidas que parecem perfeitas quando vistas de longe.

Passamos tanto tempo desejando o "morango" alheio que esquecemos de saborear a manga que amadurece no nosso quintal.

E existe ainda uma pergunta que vale mais do que qualquer comparação:

Eu estaria disposto a viver a vida que essa pessoa viveu para conquistar aquilo que ela tem? E, se estivesse, conseguiria fazê-lo sem abrir mão daquilo que considero justo e digno?

Nem todo brilho merece ser perseguido. Nem todo sonho é realmente nosso.

Você já percebeu que esta história nunca foi sobre morangos.

Sempre foi sobre descobrir que a felicidade começa no dia em que deixamos de desejar a vida dos outros para aprender a saborear, com gratidão, a nossa própria.

PÁGINA INICIAL

Nenhum comentário:

Postar um comentário

SE NÃO APRENDEU ISSO, NÃO ESTÁ PRONTO PARA SE RELACIONAR

 A felicidade e o casamento "O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”  — 1 Coríntios 13:7. O amor descrito neste versícu...