segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Meu primeiro casamento

Nem tudo são rosas



Estou cansado de ouvir essa frase. As pessoas dizem que casamento envolve mais espinhos que rosas. Porque é muito complicado.

Até pouco tempo eu achava que estava no meu décimo segundo casamento. Minha esposa me fez entender que estamos no primeiro. Todos os relacionamentos anteriores não eram casamentos, eram parcerias onde não estava bem definido o papel de cada um e o que esperávamos daquela parceria.

Agora eu sei.

Casamento é uma união de dois seres inteiros e resolvidos, cada um com seus problemas, que sabem que a união não é a solução, mas é a possibilidade de ter alguém para nos fazer companhia enquanto encaminhamos as soluções. O parceiro não é a solução, é a pessoa que nos acompanha e apoia no processo.

Partindo desse princípio, não culpo o parceiro se não estou indo bem. E não cobro nada. E é recíproco.

Os problemas e projetos que surgem a partir da união é que serão terão seus encaminhamentos compartilhados.

Assim fica mais claro e tranquilo. 

Outra coisa que me faz crer que estou no primeiro casamento é que eu sempre achei que casamento tinha que ser pegajoso.

Eu achava que tinha que ter muitos abraços e beijo no pescoço todos os dias, várias vezes por dia.

Se não tinha e agora tem é porque não era casamento no modelo que me agrada e agora é.


sexta-feira, 25 de setembro de 2026

A tríade da maldade

Foi no início da primavera de 2022 que entrei em contato com uma teoria revolucionária que desde então começou a florescer silenciosamente dentro de mim: a Teoria da Tríade da Maldade.

Ela foi formulada pelo filósofo macaibense João Marques Lino, que a construiu ao longo de décadas de estudos e experiências, alicerçando-a também na convivência com milhares de adolescentes e adultos dentro de salas de aula.

Ao refletirmos sobre a felicidade, talvez precisemos começar por uma verdade que nem sempre queremos ouvir: não basta procurar a felicidade; é preciso também libertar-se, pouco a pouco, daquilo que nos impede de encontrá-la.

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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

DEPOIMENTO PESSOAL

Professor – Um jeito de ser feliz 

Desde que comecei a dar aulas de Geografia descobri que ensinar ia muito além de explicar mapas, rios ou continentes. Antes de abrir o livro didático, eu procurava abrir os olhos dos alunos para o mundo que existia ao redor deles.

Por isso, todos os anos letivos começavam da mesma forma: reuníamos a turma para conversar sobre os principais desafios da comunidade onde vivíamos. Falávamos das ruas, da água, do lixo, da seca, da agricultura, do trabalho, da violência, dos sonhos e das esperanças. Era a partir dessas conversas que os conteúdos da Geografia surgiam naturalmente, dialogando com a vida de cada estudante. A escola deixava de ser um lugar distante da realidade para se tornar um espaço onde a realidade podia ser compreendida e transformada.

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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

LUGARES EM QUE VIVEMOS, OU VIVEM EM NÓS, E NOS ENSINAM

Foi um rio que passou em minha vida...

Há rios que atravessam a geografia. E há rios que atravessam a alma. O Jundiaí passou pelas duas.

Quando menino, aprendi que os caranguejos do Jundiaí alimentaram muitas famílias de Macaíba. Não haviam muitas indústrias nem grandes oportunidades de emprego até os anos 80.

Em dias de cheia, mergulhar no Jundiaí era uma aventura que misturava medo e liberdade. O rio fazia parte da infância, como se também fosse um parente antigo.

Mas o Jundiaí não carregava apenas água. Carregava a história de uma cidade.

Segundo Luís da Câmara Cascudo...

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DEPOIMENTO DE OPERÁRIO DE FÁBRICA

O primeiro emprego com carteira assinada

Foi na Fiação de Algodão Mocó S.A. – FAMOSA, que assinei pela primeira vez minha carteira de trabalho.

Eu ainda não tinha completado dezessete anos quando, depois de apenas seis meses, recebi uma promoção inesperada. O chefe pediu demissão para abrir uma pequena loja de materiais de construção. Anos depois, ela se tornaria uma das empresas mais bem-sucedidas da região.

No lugar dele, colocaram...

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ANALOGIAS DOS DESEJOS

Quando morango é mais que uma fruta

Quando eu era criança, ouvi dizer que morango era uma fruta que apenas os ricos poderiam consumir. "Uma coisa que pobre nunca ia comer", dizia a minha avó Severina.

Quem viveu no interior do Nordeste brasileiro, no século passado, talvez tenha ouvido isso e até sorria ao lembrar. Em Macaíba, a fartura tinha outro nome: manga e caju.

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ESCOLHENDO UM ESPAÇO DE PAZ E REFLEXÃO

O banquinho na Vila de São Romão


Há muitos banquinhos de madeira nas estreitas e sinuosas ruas na Vila de São Romão, aninhada entre as montanhas da Serra da Estrela.

À primeira vista, eles não chamam a atenção. A madeira acinzentada e desgastada pelo Sol, pela chuva e pela neve de janeiro não mostra mais o vigor de décadas atrás. Mas continua aconchegante e convidativo.

Estão ali, uns sob postes antigos, cujas luminárias convidam os leitores noturnos, e outros sob árvores parecem chamar em voz baixa os casais de namorados. Não possuem placas, nem monumentos, nem qualquer sinal de importância. Quem passa depressa talvez nem os veja.

Mas há lugares que não foram feitos para os olhos. Foram feitos para...

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O QUE AS PESSOAS "INVISÍVEIS" NOS ENSINAM

A Felicidade que os olhos não escondem

 

Em 2021 conversei com uma senhora de mais ou menos 60 anos enquanto ela lavava uma escadaria de um prédio histórico no centro da cidade do Porto. Enquanto trabalhava relatou as dificuldades de vir da zona rural de Ovar todos os dias e voltar no final da tarde. Mas foi esse o emprego que conseguiu, era grata por isso. Estava a sustentar os filhos de sua irmã falecida. Seus olhos verdes e grandes que às vezes pareciam cansados, na verdade transbordavam esperança e alegria.

Percebi que enquanto muitos passavam apressados, talvez enxergassem apenas o uniforme, o balde e a água que escorria pelos degraus.

Eu descobri na conversa animada daquela senhora que a felicidade, apesar da vida difícil e do trabalho pesado, nunca a abandonara. 

Talvez porque, ao fim do expediente, exista uma porta que se abre com alegria. Talvez haja um abraço esperando por ela, uma mesa simples, risos compartilhados e alguém perguntando, com carinho: "Como foi o seu dia?"

Se isso for verdade, ela já possui uma riqueza que nenhuma fortuna consegue garantir.

O dinheiro compra conforto. Mas não compra um filho que abraça com sinceridade, nem um amor que permanece quando os cabelos embranquecem.

Não compra uma família que nos espera apenas porque sente saudades.

A felicidade, muitas vezes, volta para casa com as mãos cansadas... e encontra, no amor, o descanso que nenhuma riqueza seria capaz de oferecer.

MISÉRIA NÃO É ACIDENTAL, É PARTE ESSENCIAL DO CAPITALISMO

A quem serve a mendicância?

Na última década do século passado, visitei o lixão do Pé do Galo, no Rio Grande do Norte.

Naquele tempo, algumas famílias sobreviviam daquilo que o restante da sociedade jogava fora. O lixo era mesa, sustento e esperança.

Mas há algo me entristece tanto quanto a pobreza. É perceber que, para alguns, miséria tem utilidade.

Enquanto há gente desesperada, sempre há quem aceite trabalhar apenas por um prato de comida, por roupas usadas ou por favores...

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Dê a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus

Como agradar o divino

Encontrei um homem no acostamento da BR-226 que se deslocava da cidade do Natal, Rio Grande do Norte, para a cidade de Canindé, no Ceará. Ele empurrava um pequeno carro de madeira e zinco que media um metro de largura por um e meio de comprimento. 

O carro, feito pelas suas próprias mãos, era o pagamento de uma promessa feita a São Francisco, pela cura de alguém da família. Empurrá-lo a pé por quase seiscentos quilômetros era parte da promessa. Ele disse que seriam mais de dez dias de viagem, parando poucas vezes para descansar.

Enquanto o observava seguir viagem, pensei que aquele carro carregava muito mais do que tábuas. Carregava esperança, gratidão, medo, amor e a antiga necessidade humana de acreditar que o céu escuta nossas lágrimas.

Desde sempre, bilhões de pessoas oferecem algo material em troca de uma graça espiritual. Uma vela, uma caminhada, um dízimo, uma construção, um objeto. É como se tentássemos traduzir em coisas aquilo que sentimos no coração.

Quem alcança a bênção agradece. Quem administra os templos também se alegra. Mas permanece uma pergunta que atravessa os séculos:

Será que Deus espera presentes... ou espera corações transformados?

Talvez a mais nítida demonstração de reconhecimento, de que algo divino nos tocou, seja empenharmos em ser pessoas mais amorosas, mais justas e mais humanas.

Porque, se Deus habita em algum lugar, é possível que sua maior alegria nunca tenha sido receber alguma coisa das nossas mãos.

Talvez sempre tenha sido ver nascer algo novo dentro do nosso coração.

SUA AÇÃO NO MUNDO FAZ A DIFERENÇA

Os verdadeiros heróis

Em uma das muitas viagens que fiz, parei ao pé de uma estátua ao lado da Catedral da Sé, na cidade do Porto.

A estátua de Vímara Peres desperta admiração. É uma bela obra de arte e nos convida a recordar um fragmento da história. Ele é considerado um herói naquele país. Todos os países tem seus heróis.

Mas, se me perguntarem quem são os verdadeiros heróis, meus olhos procuram outra direção. Eles não costumam ser eternizados em bronze. Não usam coroas nem comandam exércitos.

Saem de casa antes do amanhecer para trabalhar na fábrica, na escola, na lavoura, no hospital, no volante de um ônibus, no pequeno comércio. Voltam para casa carregando o cansaço no corpo e o amor nas mãos.

São pais e mães que, sem discursos e sem monumentos, constroem diariamente aquilo que nenhum rei jamais conseguiu criar sozinho: uma sociedade onde a vida continua.

Enquanto a história grava o nome dos poderosos nas pedras, é o anonimato dos trabalhadores que grava esperança no coração das pessoas.

As estátuas mais bonitas não são feitas de mármore ou de bronze. São feitas de coragem, de honestidade e de amor.

E essas, embora invisíveis, devem permanecer de pé muito depois que os monumentos envelhecem e são corroídos pelo tempo.


SE NÃO APRENDEU ISSO, NÃO ESTÁ PRONTO PARA SE RELACIONAR

 A felicidade e o casamento

"O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”
 — 1 Coríntios 13:7.

O amor descrito neste versículo nunca foi adequado a casamentos. Aprendemos que a base dos relacionamentos deve ser na verdade as trocas. Você dá e exige que o outro dê. Carinho, apoio, atenção. Nesse contexto, você é feliz quando recebe, não quando dá. Isso não é amor. Quem ama é feliz quando está intimamente comprometido e se doa buscando o bem-estar da pessoa amada. Mas, e se o outro não se doa? Ora, é porque ele não ama. 

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SE NÃO APRENDEU ISSO, NÃO ESTÁ PRONTO PARA SE RELACIONAR

 A felicidade e o casamento "O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”  — 1 Coríntios 13:7. O amor descrito neste versícu...