Eu ainda não tinha completado dezessete anos quando, depois de apenas seis meses, recebi uma promoção inesperada. O chefe pediu demissão para abrir uma pequena loja de materiais de construção. Anos depois, ela se tornaria uma das empresas mais bem-sucedidas da região.
No lugar dele, colocaram um rapaz que mal havia saído da adolescência.
Durante dois anos, tentei liderar uma equipe de homens mais velhos do que eu.
Tentei. Mas não consegui.
Com o tempo, compreendi que para ser convincente o chefe precisa acreditar no que está dizendo.
E descobri uma verdade que nunca mais me abandonou: é muito difícil pedir que alguém entregue o melhor de si quando ele sabe que é apenas como mais uma peça da engrenagem.
Talvez eu tenha fracassado como chefe porque não convenci aqueles trabalhadores de uma ideia na qual eu mesmo não acreditava. De que valeria a pena se esforçar ainda mais.
Eu começava a pensar que as relações de trabalho só teriam sentido se a dedicação caminhasse nos dois sentidos. Se a empresa devolvesse às pessoas o justo resultado do seu esforço.
Talvez já naquele primeiro emprego eu questionasse a mais-valia, alicerce do acúmulo de riqueza. E entendesse que é impossível chefiar trabalhadores, no sistema capitalista, sem oprimir, às vezes ludibriando, às vezes ameaçando.
Eu me recusava a ser um capitão-do-mato. Fazia a roda girar, o trabalho fluir, mas não tirava o máximo dos trabalhadores, não servia para o sistema.

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