A Felicidade que os olhos não escondem
Em 2021 conversei com uma senhora de mais ou menos 60 anos enquanto ela lavava uma escadaria de um prédio histórico no centro da cidade do Porto. Enquanto trabalhava relatou as dificuldades de vir da zona rural de Ovar todos os dias e voltar no final da tarde. Mas foi esse o emprego que conseguiu, era grata por isso. Estava a sustentar os filhos de sua irmã falecida. Seus olhos verdes e grandes que às vezes pareciam cansados, na verdade transbordavam esperança e alegria.
Percebi que enquanto muitos passavam apressados, talvez enxergassem apenas o uniforme, o balde e a água que escorria pelos degraus.
Eu descobri na conversa animada daquela senhora que a felicidade, apesar da vida difícil e do trabalho pesado, nunca a abandonara.
Talvez porque, ao fim do expediente, exista uma porta que se abre com alegria. Talvez haja um abraço esperando por ela, uma mesa simples, risos compartilhados e alguém perguntando, com carinho: "Como foi o seu dia?"
Se isso for verdade, ela já possui uma riqueza que nenhuma fortuna consegue garantir.
O dinheiro compra conforto. Mas não compra um filho que abraça com sinceridade, nem um amor que permanece quando os cabelos embranquecem.
Não compra uma família que nos espera apenas porque sente saudades.
A felicidade, muitas vezes, volta para casa com as mãos cansadas... e encontra, no amor, o descanso que nenhuma riqueza seria capaz de oferecer.
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